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A existência de uma identidade cultural europeia é um conceito permanentemente posto à prova pelos movimentos migratórios, pela crescente globalização das ideias e dos costumes, pelos esforços dos decisores regionais e nacionais em promover o carácter único dos seus territórios etc. É legítimo afirmar que existe actualmente na Europa um tensão entre identidade e homogeneidade, sendo que aparentemente as identidades são hoje em grande medida influenciadas por esforços políticos e de marketing territorial deliberados enquanto as homogeneidades são o resultado óbvio de processos de comunicação de massas e de economia global.

Não obstante estas macro-tendências, existem na Europa espaços geográficos que mantêm naturalmente ligações ancestrais com uma cultura específica: os territórios rurais de montanha. A montanha é por definição um espaço de adaptação árdua à paisagem, de sobrevivência, de necessidade, de comunidade, de cultura. No fundo, de civilização. A configuração morfológica da montanha serviu no passado de protecção face a ameaças e hoje serve de factor de alguma estabilidade cultural face às mudanças inapeláveis do mundo contemporâneo. Nesse sentido, a memória ancestral está ainda muito presente nestes territórios, pelo que podemos considerar que a documentação dos respectivos materiais culturais é uma necessidade absoluta, seja pelo risco de desaparecimento, seja pelo valor de “diferença” que representam num mundo crescentemente globalizado.

O projeto TRAMONTANA iniciou-se em Maio de 2012 no âmbito de uma candidatura aprovada ao Programa da UE Cultura 2007-13, à qual se sucedeu outra candidatura aprovada ao Programa Europa Criativa, sendo orientado para a criação de uma rede “natural” de espaços de montanha (que partilham portanto uma matriz sócio/cultural comum) a partir da qual se estudem, comparem e disseminem materiais culturais e metodologias inovadoras de documentação e arquivo audiovisual dos referidos conteúdos, com o objectivo último de preservação da memória da paisagem e das comunidades e da utilização dos materiais documentados como ferramenta para a educação, auto-estima e valorização destes territórios de montanha.

O projecto reúne estruturas associativas com trabalho profundo de documentação audiovisual junto de comunidades rurais de montanha nas áreas da antropologia, etnomusicologia, etnocoreologia, etnolinguística e paisagens sonoras/visuais, oriundas de diversas regiões de Portugal, Espanha, França e Itália.

O acrónimo do projecto, TRAMONTANA, refere-se tanto ao vento frio e turbulento de Norte que assola grande parte das montanhas presentes no projecto, como à origem latina do nome: “atrás dos montes”, constituindo assim uma perfeita metáfora para o árduo modo de vida das comunidades de montanha e para a matriz linguística comum do projecto.

Site internet do projeto: http://www.re-tramontana.org

Alguns excertos de documentos audiovisuais produzidos pela Binaural/Nodar no âmbito do projeto Tramontana: