Descrição do projecto

Pedro Tudela e Miguel Carvalhais (Portugal)

Há algo na verbalização que tem uma consistência diferente da que se quantifica num texto visto e lido: As suspensões, o fôlego, o ataque e o término das palavras ou das frases. Estes, a par do timbre, são jeitos ligados ao dizer e que contribuem para diferenciar, personalizar e identificar as vozes que o dizem. No cantar, nas rezas ou mesmo nos discursos, estas verdades dilatam, porque as palavras ditas apresentam-se estendidas com a quantidade dos harmónicos e dos tons. Separar estes resultados aditivos e isolá-los com processos subtractivos, transforma a legibilidade do discurso em ruído, que não abdica nem rejeita em pleno o filtro a que foi submetido, mas alvitra uma nova plasticidade sonora, solta da narrativa inicial.

Miguel Carvalhais e Pedro Tudela colaboram como -c desde 2000, desenvolvendo trabalho sonoro ou audiovisual, quando acompanhados pela artista austríaca Lia. O seu trabalho desenvolve-se por três abordagens complementares à arte sonora e à música digital: a composição procedimental, a música concreta e a improvisação. Ao longo dos anos Tudela e Carvalhais têm vindo a desenvolver composições progressivamente mais estruturadas e complexas, entre os campos da música experimental, da arte sonora e da performance ao vivo.