Descrição do projecto

Rui Costa
Early Works 1998-2003
Chapter 2: Early Field Recordings 2001-2003
Edições Nodar, nodar 007
Biografia de Rui Costa, disponível aqui

A prática artística de Rui Costa embora não se enquadrando estritamente na estética dos “field recordings”, centrada na inquirição sobre a relação do sujeito com o espaço acústico envolvente, incorpora elementos do som gravado em diversos ambientes humanos e naturais, quase sempre como parte do trabalho de campo para projetos que utilizam o som de uma forma descontextualizada da sua fonte original. Esta coleção contém de gravações de campo realizadas entre 2001 e 2003 para uma série de projetos performativos ou expositivos, individuais ou em colaboração com outros artistas.

“Nodar: Matança/Matanza”, Dez. 2001

Matança/Matanza foi uma performance/instalação estreada no Festival Musica Ex-Machina 2002, em Bilbao, sobre um evento anual (a matança do porco) e do espaço onde este ocorre (pátio interior de uma casa rural) e que explora a ancestral conceção circular do tempo rural dependente dos ciclos agrícolas e das estações do ano e as dinâmicas sociais associadas a rituais de natureza cíclica. Este projeto incorporou fragmentos da gravação sonora realizada por Rui Costa numa matança do porco, na aldeia de Nodar (São Pedro do Sul, Portugal) em Dezembro de 2001.

“hhhhhhhh (8 agás: fonema mudo)”, Nov. 2002

Este projeto foi uma instalação sonora multicanal realizada por Rui Costa e Iñaki Ríos em Novembro de 2002 na Livraria Ler Devagar (Lisboa, Portugal) a partir de silêncios entendidos como o som do espaço vazio, o som residual, o som que vem não se sabe donde, abafado e quase impercetível. Ao transpor o silêncio para um espaço/tempo diferente, pretendeu-se questionar a própria noção de silêncio. As gravações incluídas nesta coleção foram realizadas por Rui Costa em vários espaços vazios em Lisboa, Portugal.

“Embalse de Guijo de Ávila”, Ago. 2003

No âmbito de um acampamento de Verão, nas margens de uma barragem na província de Ávila (Espanha), Rui Costa organizou um pequeno workshop de gravações de campo para jovens. A peça incluída nesta compilação consiste numa gravação em que se procurou captar os aspetos que caracterizam o espaço mas que não são normalmente audíveis conscientemente. Para tal, procurou-se um lugar e tempo em que o “som de fundo” predominasse.

“Passeio Sonoro durante “Coimbra Vibra!””, Out. 2003

O evento “Coimbra Vibra!”, coordenado por R. Murray Schafer, consistiu numa paisagem sonora de performances musicais, esculturas sonoras e sons ambientais da cidade de Coimbra (Portugal) durante o Dia Mundial da Música de 2003. Para este evento foram convidados vários artistas sonoros, entre eles Rui Costa e Paulo Raposo, para trabalharem sobre esta paisagem sonora irrepetível. Rui Costa percorreu a baixa da Cidade de Coimbra com um par de microfones binaurais, procurando uma perspetiva não só dos espaços onde decorriam as ações musicais e sonoras mas também dos espaços envolventes, criando uma tensão entre o “dentro” e o “fora” deste evento.