Descrição do projecto

Projecto: Zapatos de Mi Pueblo
Categoria: Artes Visuais, Instalação
Período: Setembro 2007
Evento: Residência Artística (Encontro Fronte[i]ras 07)


O Deus grego Hermes, o protector dos limites e dos viajantes que franqueavam os limites, é um deus calçado, pois tem possessão legítima da terra sobre a qual se situa.

Na terra do Islão, o estrangeiro deve atravessar descalço o umbral da casa de seu hóspede, mostrando com este gesto que não tem nenhum pensamento de reivindicação nem nenhum direito de propriedade a fazer valer. Do mesmo modo deve entrar nos lugares sagrados, já que o solo da mesquita, assim como os santuários, não pertence aos homens.

O sapato é o símbolo do viajante. Aquele poeta errante que vai perseguindo um sonho, deixando atrás as suas próprias pegadas as quais pertencem a um tempo ao qual jamais há-de voltar.

Propus uma investigação a partir dos sapatos usados pelas pessoas, às quais solicitei a sua participação no projecto. Este calçado era composto por peças de diversa proveniência (abandonado ou de uso corrente, crianças ou adultos, de tipo distinto e de diverso nível sócio-económico) das comunidades aldeãs. Colocaram-se numa mala e procedeu-se à sua transladação a um lugar determinado na investigação. Estes objectos colocaram-se no espaço determinado de um lugar comum e instalaram-se de diversas formas de modo a que se relacionassem visualmente com a suas actividades quotidianas: conversando, trabalhando, jogando, esperando pelo transporte etc.


Maria Idília Martins | Portugal

Artista portuguesa, vivendo há largos anos na Venezuela, onde estudou e desenvolve o seu trabalho. Com formação universitária recente em artes plásticas, ramo de escultura, tem um percurso diversificado de mais de 20 anos de estudos e de exposições colectivas de fotografia, escultura, instalação e cerâmica. Com a sua última exposição individual, a instalação site-specific “Espacio Vivido” que decorreu no Centro de Estudos Latinoamericanos de Caracas, a qual se baseou na utilização de elementos perceptuais no espaço escultórico, a artista pretendeu interpelar as formas de ver, convocando o olhar como construção de novas linguagens, a partir de estruturas que parecem esgotadas num transitar quotidiano.