Descrição do projecto

Projecto: Soundscape Mapping

Categoria: Arte Sonora

Período: Setembro 2007

Evento: Residência Artística (Encontro Fronte[i]ras 07)

Uma fronteira é uma zona mutável entre áreas de carácter definido. As qualidades de uma fronteira são formadas por influências variáveis de áreas sobrepostas. Assim sendo, o seu carácter é instável e muitas vezes imprevisível, na medida em que é afectado por ciclos de actividade de vários sistemas autónomos condicionados simultaneamente. Para os entes territoriais, uma fronteira é uma área de comportamentos demonstrativos específicos . Uma fronteira entre diversos biótipos é um habitat de formas altamente adaptativas especificadas para condições variáveis. De um ponto de vista filosófico, uma área fronteiriça é uma fonte de contextos ricos de contradições, os quais propõem qualidades multi-correspondentes para os seus habitantes.

Paisagem sonora de fronteira como um habitat de escuta imersa é um projecto de gravação de campo e mistura de sons. Zonas limítrofes mas autónomas, são ligadas entre si com microfones e é efectuada uma mistura em tempo real, criando assim uma nova zona sonora fronteiriça, moldada por sons sobrepostos de actividade em zonas circundantes.

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Descrição da instalação

SOUNDSCAPE MAPPING

A – objecto a ser gravado; B – elemento piezo-eléctrico; C – mixer; D – gravador.

A mistura em campo de sons como método abre possibilidades de aprendizagem do espaço através da decomposição indutiva em partes sonoras complementares e da recomposição selectiva da paisagem sonora. Assim sendo, a introdução de objectos seleccionados na paisagem sonora e a sua sujeição a uma experiência iterativa de formação de estruturas narrativas, permite ao sujeito a navegação na paisagem sonora reconstruída, enquanto permanece imóvel. Pode ser feita uma analogia entre a mistura em campo de sons e uma abordagem cartográfica à paisagem sonora, a qual incorpora uma qualidade distintiva de mapeamento intensivo, o qual é expandido dentro de um determinado território em vez de cobrir uma vasta extensão. No caso presente, a paisagem sonora reconstruída representa um mapa ou um esquema de uma experiência pessoal e não uma manifestação de objectividade. Apesar da sua subjectividade, a mistura em campo de sons enquanto pesquisa documental permite ao público o acesso a elementos escondidos da paisagem sonora e a sua navegação num mapa topográfico.

PISTA 1.- Tanques de metal ressonantes – 10:32 min.

Dois tanques de metal de cerca de 2.5 – 3 metros. A água bombeada dentro dos tanques ressoa em diferentes pontos componentes. Captação sonora por 8 elementos piezo-eléctricos.

PISTA 2. – Eucaliptos – 4:43 min.

Algumas árvores são conectadas com elementos piezo-eléctricos ao mixer, utilizando a superfície, as fendas e a casca solta da árvore. A mistura de sons combina árvores jovens, assim como outras secas e queimadas por um incêndio. O vento ressoa nos corpos das árvores e produz um som rangente raramente audível a partir do exterior.

PISTA 3. – Fluxo de água – 15:13 min.

Uma área de aproximadamente um metro quadrado numa margem do rio pouco profunda, na qual o fluxo de água se distribui por entre as pedras, formando múltiplos riachos. 8 elementos piezo-eléctricos são ligados a pedras, canas secas e um prato de metal, todos conectados a uma consola portátil de mistura de sons, captando a ressonância da água no contacto com os diferentes objectos. O explorador mistura selectivamente os sinais em tempo real, construindo padrões sonoros complexos, os quais de outra forma permaneceriam fora do alcance dos nossos sentidos, uma vez que uma paisagem sonora de um rio produz uma soma inarticulada de sons dispersos.

Gravado e misturado em campo por Maksims Shentelevs durante Fronte[I]ras 07 em Nodar, Portugal – Setembro 2007.

Fotos, desenhos e gráficos por Maksims Shentelevs

Registo áudio do concerto de apresentação do projecto no Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos (faixa 1) e da instalação (faixas 2, 3 e 4):

Maksims Shentelevs | Letónia

Maksims Shentelevs (my-ym), nascido em Riga, Letónia, é um arquitecto, fonografista e artista sonoro que define a paisagem sonora como um campo de actividade denso e auto-referente, moldado pelo movimento sobreposto de objectos no espaço. Começou a trabalhar com “field recordings” em 2002 focando-se na recolha sonora enquanto política não intervencionista de observação de modelos estruturais naturais. Os estudos de campo são tomados como material de base para posterior modelização em estúdio das paisagens sonoras.

Maksims interessa-se predominantemente por biótipos referentes a habitats de insectos e outras pequenas criaturas. Presentemente Maksims está envolvido na construção de instrumentos acústicos e electroacústicos e de objectos sonoros, enquanto ferramentas para um discurso recíproco com a natureza.

Desde 2003 que Maksims participa em residências e festivais na Letónia, Estónia, Finlândia, Portugal, etc., tendo em 2007 organizado em Riga o festival “Mijatmina”, dedicado a paisagens sonoras e a texturas vídeo.

http://www.bernurits.com