Memória Sonora da Cortiça no Museu de Lamas (a.k.a. Museu da Cortiça)

MEMÓRIA SONORA DA CORTIÇA EM SANTA MARIA DA FEIRA
Instalação multicanal de Luís Gomes da Costa (Binaural/Nodar)
Museu de Lamas, Santa Maria da Feira
16 janeiro a 23 maio 2015 (09:30-12:30 – 14:00-17:00)

Uma co-produção Binaural/Nodar, Município de Santa Maria da Feira, Orquestra e Banda Sinfónica de Jovens de Santa Maria da Feira e Museu de Santa Maria de Lamas

Depois da sua estreia em final de 2014 na Casa da Cultura de Lourosa, a obra MEMÓRIA SONORA DA CORTIÇA EM SANTA MARIA DA FEIRA é exibida num espaço museológico emblemático da região, o extraordinário Museu de Lamas, fundado nos anos 50 do século passado pelo benemérito Comendador Henrique Alves de Amorim e que reune um conjunto riquíssimo de peças de variada natureza e origem desde arte sacra portuguesa, azulejaria, pintura e escultura, ciências naturais e naturalmente pela cortiça em muitas das suas vertentes: www.museudelamas.pt/

Em várias freguesias do Município de Santa Maria da Feira (Santa Maria de Lamas, Lourosa, Mozelos, etc.) existe uma magnífica quanto improvável história industrial: a indústria da cortiça. Um território rural de minifúndio transformou-se em pouco mais de 50 anos no epicentro mundial de produção de rolhas e outros derivados da cortiça, criando um ecosistema de centenas de empresas que perdura hoje em dia com uma pujança crescente. Podemos encarar esta história sob o prisma meramente empresarial, mas o que ressalta é também a história de gerações de homens e mulheres, na maioria simples, os quais, com uma resiliência ímpar, souberam transportar a herança passada de uma indústria que nasceu artesanal rumo a novos modos de produzir, inovar e comercializar. Resumindo, Santa Maria da Feira é, pois, um caso raro em vários domínios: na ligação profunda e quotidiana entre memória e futuro, entre empreendedorismo e operariado e entre recursos naturais e indústria.

A Memória Sonora da Cortiça é uma instalação sonora e visual multi-canal de Luís Gomes da Costa, coordenador da Binaural/Nodar, que partiu de um trabalho de campo multidisciplinar: análise de documentos históricos, registos sonoros em fábricas da cortiça mapeados juntamente com mais de 50 alunos comunidade escolar do concelho e entrevistas a atores relevantes do setor (atuais e antigos operários, empreendedores, dirigentes associativos, gestores museológicos). A obra cria um ambiente imersivo e contemporâneo que homenageia de forma inovadora a história da cortiça, sendo particularmente dirigido às crianças e jovens, de forma a que possam aprofundar o seu conhecimento e sentido de identidade em relação a uma indústria que em muitos casos liga várias gerações das suas próprias famílias.

Biografia de Luís Gomes da Costa

Luís Gomes da Costa (1968). Presidente da Binaural – Associação Cultural de Nodar (São Pedro do Sul, Portugal). Curador, programador, organizador e documentarista sonoro e vídeo. Em 2006 decide voltar ao território das suas raízes, as montanhas dos maciços da Gralheira, Arada e Montemuro, para desenvolver projetos de documentação, reflexão e expressão contemporâneas, cruzando vivências quotidianas, criação artística e pesquisa territorial. Coordenador do Nodar Rural Art Lab, um, espaço de pesquisa artística multimédia na aldeia rural de Nodar, o qual acolheu já mais de uma centena de artistas e investigadores. Coordenador do Arquivo da Memória de Dão-Lafões e Paiva, um projeto de pesquisa, catalogação e mapeamento audiovisual da memória coletiva de territórios dos distritos de Viseu e Aveiro, integrado na rede mediterrânica Tramontana de arquivos de memória de zonas de montanha. Realizou o documentário sonoro/vídeo experimental “Onde nasce o meu Paiva?”, estreado em 2011 durante o Festival Paivascapes #1. Enquanto artista sonoro, publicou em 2011 na Edições Nodar, com o artista sonoro inglês Jez riley French, o CD “Sonata for Clarinet and Nodar” e em 2014 o livro+CD “São Pedro do Sul: Novas Escutas Rurais”. Co-editou em 2011 o catálogo e CD duplo “Três Anos em Nodar – Práticas Artísticas em Contexto Específico no Portugal Rural”, publicou em 2012 o livro de ensaios e entrevistas “Viver um Mundo Antigo: Textos de Arte e Território (2012-2008) e co-editou já em 2014, o livro+DVD “Il Senso del Dolore: Due Opere di Manuela Barile”, publicado em conjunto pelas Edições Nodar e pela editora italiana La Parete della Caverna.

2017-02-13T18:31:47+00:00 18 Janeiro, 2015|