DIVINA SONUS RURIS
Residência em arte sonora e media sobre o património imaterial religioso da região do maciço da Gralheira

6 – 26 Outubro 2013
(Paróquias de Covas do Rio, S. Martinho das Moitas e Sul, concelho de S. Pedro do Sul)

Apresentação pública de obras sonoras e media:
Sábado, 26 Outubro 2013, 15h00 – 18h00
Ponto de Encontro: Largo Central de Sul

Artistas presentes:

Ana Rodríguez (Uruguai)
Patxi Valera (Espanha)
Christoph Korn (Alemanha)
Trish e Dan Scott c/ o Padre Rodney Schofield (Inglaterra)
Mary Rothlisberger (Estados Unidos) e Monique Besten (Holanda)
Rodrigo Malvar e Ana Guedes (Portugal)

“Nós sempre fomos amigos. Mas, como acontece entre familiares, como acontece entre amigos, a relação foi ficando gasta. (…) Não vos explicámos as nossas coisas. (…) Não vos tivemos como alunos, amigos, conversadores. (…) E nós também seguimos por vias travessas, onde a arte e a beleza, e – o que é pior para nós – a adoração de Deus foram mal servidas. Refazemos a paz?”

(Paulo VI, Discurso aos Artistas, 10-12).

O sacro é um elemento central das comunidades rurais do maciço da Gralheira, São Pedro do Sul. A relação entre práticas sagradas e a vida quotidiana rural é de tal forma próxima e autêntica que é impossível pensar estas comunidades de forma alheada aos temas religiosos. Não obstante as transformações aceleradas destes territórios rurais, continua a existir uma forte adesão das populações, não só as mais idosas nas também as mais jovens, à igreja, o que poderá surpreender muitas pessoas tendo em conta o secularismo crescente das sociedades contemporâneas. É pois útil analisar o que tem de particular a religião nestas comunidades rurais para continuar a merecer estes níveis elevados de adesão.

A religião é um dos principais elementos de coesão social em comunidades rurais de montanha, onde permanecem vivas formas de viver e sentir muito antigas, que são passadas de pais para filhos, e que garantem um equilíbrio muito genuíno e antropologicamente interessante entre um viver num tempo de contemporaneidade e a manutenção de um conjunto de crenças e práticas ancestrais que dão um sentido de continuidade temporal (histórica, familiar, pessoal) e reforçam o sentimento de orgulho de pertença a um lugar. Em particular, a religião entrecruza de tal forma as vidas (as missas, as obras sociais, a catequese, o património religioso, as romarias que marcam os ciclos sazonais, as celebrações de vida e morte, etc.) que se torna um elemento crucial para estudar as comunidades rurais do maciço da Gralheira.

Sendo o tema religioso bastante contaminado por debates simplistas e posições irredutíveis, parece-nos que faz falta convocar visões descomplexadas e multifacetadas sobre o mesmo. Por outro lado, sendo a abertura ao “desconhecido” um dos focos primordiais da atividade da Binaural/Nodar, no sentido de criar pontes entre o mundo artístico contemporâneo globalizado e contextos que normalmente não são abordados de forma experiencial, em primeira mão, e com profundidade, julgamos muito pertinente incluir este tema nas pesquisas artísticas levadas a cabo na nossa região, de forma a que, no arco de vários anos, seja possível abordar alguns dos seguintes aspetos:

  1. Hagiografia rural: Lendas de santos e milagres locais.
  2. Histórias paroquiais: Memória da relação histórica local com a religião.
  3. A religião e os temas de género e geracionais.
  4. Património religioso construído: Igrejas, capelas, cruzeiros, santuários, alminhas e cemitérios.
  5. Património religioso objetual: vestes, cruzes, andores, cálices, livros, etc.
  6. Património musical religioso local.
  7. Ritos sagrados calendarísticos e não calendarísticos: Festas, missas, casamentos, batizados e funerais.
  8. A fonosfera religiosa na paisagem: Toques de sinos, cânticos, procissões, foguetes.
  9. O sagrado no espaço privado: Rezas e rosários; Iconografia religiosa na casa rural.
  10. A religião e os ciclos agrícolas.

 

O programa de residências criativas em artes sonoras e media para 2013 toma como tema de expressão o riquíssimo património de matriz sacra nas aldeias rurais do maciço da Gralheira, enquadrado por um sentido de promoção de um diálogo franco e aberto com as instituições religiosas locais e em consonância com a renovação teológica, litúrgica e cultural iniciada no pós II Guerra Mundial com o Concílio Vaticano II e aprofundada mais recentemente pelos Papas João Paulo II e Bento XVI através de diálogos regulares com artistas contemporâneos.

A Binaural/Nodar é uma entidade financiada pelo Governo de Portugal | Secretário de Estado da Cultura | Direção Geral das Artes

Ligação para o programa completo de DIVINA SONUS RURIS:http://www.binauralmedia.org/images/DivinaSonusRuris-ProgramaPT.pdf