Megan Michalak
Residência Artística
Nodar Rural Art Lab, Nodar
16 a 29 Setembro 2013

PRECARIEDADE

É um documentário experimental que narra um conto de globalização, tendo Portugal como protagonista. O filme examina os ciclos de altos e baixos, tal como os sofridos por Portugal, sendo um dos primeiros impérios coloniais e um dos mais recentes países europeus a entrar em colapso, envolto em medidas de “Austeridade” resultantes da crise financeira europeia. O contexto de Austeridade marca um ponto de inflexão de “precariedade” no futuro da União Europeia, na medida em que as tensões relacionadas com a crise da dívida ameaçam desmantelar a unificação, o Euro e a soberania democrática dessas nações. A Austeridade também marca um ponto de inflexão global, na medida em que as as políticas de dívida impostas pelo FMI ao longo de décadas na América do Sul e em África estão agora a ser testadas na Europa Ocidental. Enquanto países como Portugal privatizam e vendem as sua infra-estruturas para pagar a dívida, encontramos um processo surpreendente de colonização invertida onde as economias emergentes da ex-colónias, como Angola, já adquiriram esta infra-estrutura , introduzindo geografias neo-coloniais invertidas entre o Norte e o Sul. Enquanto explora as implicações deste contexto sócio-político em Portugal, este filme também narra um conto do renascimento de movimentos ativistas (m12m, movimento de trabalhadores precários e outros), em Portugal, sementes do que mais tarde se espalhou para a Espanha e para a América do Norte e que provocou movimentos como os de “indignação ” e “occupy”.

Durante a residência no Nodar Rural Art Lab, Megan Michalak irá testemunhar, com a ajuda de Luis Costa da Binaural/Nodar, um lado diferente de Portugal: a área rural do maciço da Gralheira  (no município de São Pedro do Sul), onde a vida parece seguir um fluxo indiferente ao sentimento de crise que se faz sentir nas áreas urbanas portuguesas. Um possível conjunto de contra-análises pode surgir a partir do contacto com um contexto onde as raízes, a família, a paisagem, os campos de cultivo, o localismo, a comunidade, a perseverança e a indiferença face ao consumismo são (ainda) elementos do puzzle social local.

“Precariedade” é produzido pela Binaural/Nodar .

 

Biografia

Inspirado pela declaração de William Burrough ” Se cortares o presente, o futuro vaza”, o trabalho de Megan Michalak é um convite público. Ela pergunta: se nós, o público, nos mantemos reféns do histórico-documental, o que o nos diz o bilhete de resgate? O que é que é reinserido ? Através de abordargens perfomáticas da historiografia em vários registros media, o seu trabalho cria contra-locais onde os cidadãos podem realizar e contestar histórias da memória cultural e da comunidade. A sua prática transpõe metodologias de cinema/documentário analógico-media para colher mensagens do público e enfrentar o “narrador não confiável ” com outra história. O vestígios resultantes arquivam pessoas comuns a confrontarem a história e as suas tentativas de encontrar significado nela.

Atualmente, Megan Michalak encontra-se a concluir diversos projetos de longa duração: ” Cartões postais para o passado, indicações para o futuro”, é um arquivo de história oral fotográfica que examina a linhagem revolucionária da França, à luz de conversas imaginárias com Walter Benjamin de “Angelus Novus . O filme “precariedade ” investiga o impacto das medidas de austeridade impostas pelo União Europeia, ou “Troika “, na cultura Portuguesa . Projetos adicionais, tais como “WORLD X DIAGNOSTICS”, concentraram-se em repensar os modelos de troca capitalista através da criação de sistemas que demonstram falhas inseridas dentro da economia de mercado livre. Mais recentemente, o projeto “SOVEREIGNTY MODULE” retorna à questão da criação de um protótipo para a geração e redistribuição da riqueza através do uso da terra, bem como a possibilidade de utilizar esse modelo para criar um bem comum público.