“Moroloja”, uma pesquisa áudio / visual sobre a experiência simbólica e ritual do luto, dirigida por Manuela Barile, co-directora artística da Binaural / Nodar foi selecionada para a competição oficial do Fuso – Anual Internacional de Vídeo Arte a acontecer em Lisboa (PT) entre 26 de julho e 5 de agosto de 2011.

Apresentação dos filmes da competição oficial em 29 de julho às 22h00
Museu de História Natural
Rua da Escola Politécnica, 56/58.
Lisboa
Portugal

Site do Festival: http://www.fusovideoarte.com/


Sobre Moroloja:

Num hino a Demetra, Homero disse que quando a sua filha Perséfone foi raptada por Hades, o Deus do submundo:

“Uma dor aguda tomou-lhe o coração e ela rasgou com as próprias mãos o véu que envolvia os seus cabelos divinos. De ambos os ombros arrancou o seu manto escuro e atirou-se como um pássaro selvagem sobre a terra firme e sobre o mar, procurando a sua filha. Mas ninguém lhe queria contar a verdade, nem entre os deuses nem entre os homens mortais; e nem entre os pássaros um verdadeiro mensageiro veio até ela. Então, durante nove dias a soberana Demetra vagueava pela terra, com tochas acesas nas mãos, encontrava-se tão aflita que nenhuma vez provou a ambrósia e o néctar suave, e nem o seu corpo se lançou nos banhos.”

“Moroloja” é uma instalação vídeo de 11minutos, inspirada no hino a Demetra de Homero. Mostra uma mulher jovem vestida de preto. Ela está sozinha, sentada numa cadeira dentro de uma casa abandonada (em Nodar).

Ela é Demetra, a deusa do grão e da fertilidade. Ela está a sofrer sozinha, porque perdeu a sua filha. Ela está a viver a experiência do luto. Na sua dor, ela é humana e vulnerável. Depois da imobilidade, começa um ritual de choro e cântico, aquele que evoca os lamentos de luto do Salento, no sul da Puglia, a região Italiana onde a artista nasceu.

Os “Moroloja” são cânticos das “prefiche”, mulheres pagas para se lamentarem durante a vigília do luto da morte de alguém no Salento. Estas mulheres costumavam cantar músicas aflitivas com mímica violenta e frenética, misturada com choros e gritos. Levavam um lenço branco nas mãos que era sacudido e agitado, criando uma espécie de dança rítmica. Nestes cânticos antigos não existiam quaisquer referências ao conceito Cristão da morte e da ressurreição. Depois da morte, existe apenas a dissolução, a noite escura. Nos cânticos, as referências à morte personificada (Thanatos) e ao prenúncio da Fada que determina o destino eram frequentes.

Os “Moroloja” são cânticos improvisados numa estrutura tradicional; as estrofes estão em “griko” (uma língua derivada do Grego ainda falada em algumas aldeias do Salento) e alternam com estrofes no dialecto local. Os “Moroloja” eram improvisados e adaptados de acordo com as circunstâncias, das expectativas da audiência, ao género e grau de parentesco que essas mulheres tinham com a pessoa que estava em maior sofrimento.

HD, 11′ (2008)
Dirigido por Manuel Barile
Câmara: Luis Costa
Produzido por Binaural/Nodar