O Centro de Residências Artísticas de Nodar apresenta:

A Ordem da Leira e da Pedra
4 Projectos de Arte Contextual

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Apresentação Pública
Sábado, 4 de Abril 09, 15h00
Nodar, S. Pedro do Sul

Quatro trabalhos de artes visuais desenvolvidos em interacção com o território rural de Nodar e de zonas adjacentes (aldeias de Sequeiros, Rompecilha, Covas do Monte e Parada de Ester)


Rui Silveira (Portugal)

“Abrigo” | Instalação vídeo

Numa região onde a arquitectura tradicional sofreu enormes transformações – resultantes não só da introdução de novos materiais e técnicas de construção, mas também pela importação de modelos arquitectónicos estrangeiros – sentimos muitas vezes que existe um tempo diferente em torno das construções que ainda mantêm as características originais da região. Estas casas, muitas das quais foram abandonadas, mais que simples abrigos, foram locais essenciais da vida diária da família. Estes gestos e acções extintos ecoam ainda nos seus muros de pedra. São memórias evocadas pelas divisões vazias, relatos de habitantes que ainda as lembram vivas, objectos que, deixados para trás, nos contam histórias. Pode falar-se de um tempo diferente dentro destas casas, um tempo indiferente à nossa presença, indiferente ao presente, um tempo que nos fala da identidade do território, de uma maneira muito própria de o construir e habitar que, pelo uso dos materiais, se relaciona quase mimeticamente com a paisagem natural. Partindo de relatos dos habitantes e gravações da ambiência destes locais, surge um objecto audiovisual híbrido que relaciona uma visão documental com outra linguagem mais experimental em torno do universo sonoro dos materiais usados para a sua construção – a pedra e a madeira.

Rui Silveira nasceu em Campo Maior em 1983 e vive em Lisboa. É licenciado em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e embora a sua formação tenha sido em grade parte orientada para o design gráfico, sempre tentou dirigir os seus trabalhos para os meios audiovisuais. As relações entre som e imagem (vídeo ou fotografia) captaram desde o início a sua atenção e interesse. Participou com trabalhos no Festival Collision em Londres e nos Rencontres Internationales em Paris.

http://www.ruisilveira.com


Peeter Laurits (Estónia)
“City of Goats” (título provisório) | Fotografia

O trabalho de Peeter Laurtis lidou com a aldeia de Covas do Monte, vizinha de Nodar, um local que parece não ter mudado muito desde há séculos a esta parte, mantendo muitos traços profundos de um modo de vida tradicional. O artista explorou a arquitectura desta pequena comunidade através de meios fotográficos, fazendo uso de técnicas fotográficas com e sem tratamento computorizado.

Peeter Laurits (1962) é um artista visual nascido na Estónia, cujo trabalho se centra à volta da fotografia. A sua formação foi realizada nas cidades de Tallinn, Tartu, São Petersburgo e Nova Iorque. Desde 1989 que exibe a sua obra internacionalmente. Foi co-fundador dos colectivos artísticos DeStudio e Open Valley Studio. Trabalhos seus fazem parte da colecção do Estonian Art Museum, Tartu Art Museum, KIASMA, colecção Norton Dodge e muitas outras colecções públicas e privadas. Actualmente vive numa floresta do sul da Estónia, situada no vale Kütiorg.

http://web.me.com/peeter.laurits



Svetlana Bogomolova (Estónia)

“Body Material” e outros | Fotografia, Vídeo

A artista interessa-se pelos detalhes invisíveis das coisas à nossa volta – detalhes que estão sempre presentes mas nos quais ninguém repara. A artista tenta encontrá-los e mostrá-los aos demais. Em Nodar a artista desenvolveu vários projectos, todos relacionados com a invisibilidade e com a transiência. “Body Material” é uma série de retratos de pessoas que habitam na aldeia de Sequeiros, ao lado de Nodar. Nesta série foram efectuados retratos de pessoas de uma forma usual e retratos de algo invisível nelas – fazendo crescer fungos no material corpóreo das pessoas. A artista pediu a alguns habitantes para “darem” uma parte dos seus corpos – como cabelo, ou água de lavar as mãos – e igualmente para colher algum material que flutua no ar das divisões onde vivem, para os colocar num substrato biológico. Posteriormente o bolor começa a crescer no substrato e as formas e cores geradas são também o retrato dessas pessoas – de uma forma pouco usual, de algo escondido, mas presente. Para a artista, pedir às pessoas para cederem parte dos seus corpos e revelar estes retratos escondidos é um processo muito íntimo.

A outra parte do trabalho desenvolvido pela artista em Nodar constituiu um grupo de três vídeos acerca da transiência de tudo à nossa volta, acerca da finitude – que une pessoas, animais e paisagem, o que é não é uma ideia triste, mas sim calma e poética. Essa é a percepção da artista acerca de Nodar – nada parecida com a depressão generalizada do Norte de onde a artista vem – e que está relacionada com a ideia de auto-suficiência e de consciência de que tudo vem e vai. Este conhecimento é antigo e feminino e dá à artista muito poder – algo que poderia ser designado de místico, mas que ela prefere qualificar de pacificador e portador de confiança.

Svetlana Bogomolova nasceu em São Petersburgo (Rússia) e vive actualmente na Estónia. É formada em media e publicidade pela Faculdade de Belas Artes de Tartu. Desenvolve projectos nos domínios da fotografia, vídeo, performance, instalação, design gráfico e multimédia. É membro do MoKS – Centro para a Arte e Prática Social e tem participado em diversas exposições, projecções, performances, instalações áudio e vídeo. Trabalha actualmente em vídeo arte, como VJ e como designer gráfica.

http://www.svetabogomolova.com


Joana Nascimento (Portugal)
“SimLugares” | Desenho / Vídeo

“SimLugares” é um projecto que se interessa por território e paisagem, no sentido da relação entre pessoas num contexto (rural), e interacção entre pessoas e espaço (de que fazem uso e propriedade). Resistindo à leitura de não-lugares (Marc Augé), interessa à artista antes uma ideia de lugar comum associada ao reconhecimento psicogeográfico do lugar. Segundo Henri Léfebrve (pensador de cariz marxista), a activação de um lugar faz-se pelas suas dinâmicas, e o próprio significado de um determinado espaço tem menos a ver com a sua construção em si mesma, mas com os usos que permite. Neste projecto a artista procurou produzir um conjunto de mapas (mentais, conceptuais, cognitivos) baseados em indicações orais da população local em torno de práticas pessoais no espaço da aldeia de Nodar. Trata-se de procurar entender o lugar no sentido das imagens, memórias, usos que lhes estão associadas, e através destes elementos e expôr o modo como as pessoas se relacionam com a paisagem que as rodeia.

Joana Nascimento é uma artista visual portuguesa. Licenciou-se em Artes Plásticas – Escultura pela Faculdade de Belas Artes do Porto, onde actualmente desenvolve uma investigação intitulada “Territorialização dos Espaços, [In]Visibilidades – Uma Abordagem ao Espaço e Tempo Performativo nas Práticas Artísticas para o Espaço Público”, no âmbito do segundo ano do Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público. Em 2006/07 Obteve formação extracurricular em Cenografia e Intermedia na Akademia Sztuk Pieknych w Krakowie, Polónia. Faz parte do colectivo multidisciplinar “Inner-city”, cujos interesses se centram em abordagens locais ao espaço público e participou em várias exposições colectivas em Portugal, Espanha e Polónia.

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